Com o passar dos anos, é natural notar que a pele perde parte daquela firmeza e do viço característicos da juventude. Áreas como as bochechas, o contorno da mandíbula, os braços e o abdômen começam a ceder sutilmente. Esse processo é conhecido como flacidez, uma manifestação puramente biológica do envelhecimento tecidual, mas que também pode ser acelerada por fatores externos.
Para combater ou prevenir a flacidez de forma eficaz, o primeiro passo é entender o que acontece nas camadas mais profundas da nossa pele e aprender a diferenciar os dois tipos existentes dessa condição.
A estrutura da pele: O declínio do colágeno e da elastina
A firmeza e a elasticidade da pele dependem diretamente de duas proteínas produzidas por células chamadas fibroblastos, localizadas na derme (a camada intermediária da pele):
- Colágeno: Funciona como a “estrutura de sustentação” ou os tijolos da pele, mantendo os tecidos firmes e unidos.
- Elastina: Funciona como uma mola, permitindo que a pele estique e volte ao seu formato original sem deformar.
A partir dos 25 anos, o corpo humano reduz a produção natural de colágeno em cerca de 1% a cada ano. Nas mulheres, esse declínio se acentua drasticamente nos primeiros anos da menopausa devido à queda do hormônio estrogênio. Sem essa base de sustentação, a gravidade começa a atuar com mais força, resultando no aspecto flácido.
Flacidez Tecidual vs. Flacidez Muscular
Um erro muito comum é tratar toda flacidez da mesma maneira. Na verdade, ela se divide em duas categorias que exigem cuidados distintos:
1. Flacidez Dérmica (ou Tecidual)
Afeta puramente a pele. Ocorre quando as fibras de colágeno e elastina se desgastam ou diminuem. É muito comum no rosto, pescoço e colo devido ao envelhecimento natural e à exposição solar sem proteção.
2. Flacidez Muscular
Afeta as fibras musculares que ficam logo abaixo da pele. Ocorre devido ao sedentarismo e à falta de estímulo físico. Quando o músculo perde tônus e volume (atrofia), a pele que está por cima sobra, gerando o aspecto de flacidez. É o que acontece frequentemente na região interna dos braços (o famoso “músculo do tchau”) e nos glúteos.
Como a ciência aborda o problema?
Hoje, o tratamento da flacidez tecidual avançou muito além dos cremes superficiais. A dermatologia moderna foca em tratamentos que geram um processo inflamatório controlado na derme para forçar o corpo a produzir um novo colágeno (neocolagênese).
Entre os procedimentos mais eficazes estão os bioestimuladores de colágeno (injetáveis), o ultrassom microfocado e a radiofrequência. No entanto, a base de qualquer resultado duradouro começa com a prevenção diária e os cuidados com a barreira cutânea.
